terça-feira, 19 de abril de 2016

Invento Esperas

Imagem: refoworld

Olhei o chão
Olhei o mar
E tu não chegavas
Ficaste pelas folhas caídas
Daquele outono distante
Quando disseste que me amavas
Agora morro de sede
Na espera desse instante,
E sinto apenas a fome
Das noites perdidas
Por isso invento chegadas
Neblinas salgadas, gotas

Mesmo que em meus olhos de primavera
Só encontre gaivotas

Invento Esperas, de Rogério M. Simões

sábado, 16 de abril de 2016

Invento Palavras



Beijo pouco, falo menos ainda.
Mas invento palavras
Que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana.
Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.
Intransitivo:
Teadoro, Teodora.

(Manuel Bandeira)


Final de Tarde

Imagem: Tumblr

Acaba o dia, ela logo deixa o trabalho e vai direto para casa, sem pensar em mais nada que não seja chegar logo, tomar uma ducha e descansar do dia atarefado.

Ele, enfim termina suas tarefas, desliga o computador e antes de sair, decide relaxar alguns minutos antes de enfrentar o caminho de volta. Apenas com a luz do som, fecha os olhos e medita nos acontecimentos recentes, fazendo uma revisão do que ficou por fazer e de situações que exigem sua intervenção para serem resolvidas.  Olhos fechados, "assiste o filme" das coisas que ocorreram na semana e vai deixando o silêncio diminuir o ritmo da mente, quase a ponto de cochilar na cadeira.

Ao se encontrarem, a leveza do momento faz a gôndola da vida entrar no mar da tranquilidade.

Se perguntam como foi o dia de cada um, contam as passagens mais relevantes, e a conversa segue com amenidades que os levam à risadas, descontração e leveza. Por vezes, tratam de assuntos sérios, trocam opiniões e orientações e quase se esquecem do horário do jantar.

O colo dela, deliciosamente aconchegante, é convidativo para horas e horas de conversa, mas ambos são vencidos pelo sono, e dormem ali mesmo no sofá.  Só mais tarde ele se levanta, pega-lhe no colo e a leva para a cama para descansar algumas horas antes de sair bem cedo para a aula de sábado.

Com beijos e o desejo de bom sono e sonhos, se despedem.

E ela perdeu a hora de acordar...

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Quando Ela Acordar...

Imagem: Google


O despertador cumpria a sua tarefa, que ele interrompeu logo no início pois já estava acordado, e a admirava  na cama. Não queria acordá-la. Não queria tirá-la daquela paz do sono da manhã. Como ficam belas as pessoas que amamos quando dormem. Nenhuma palavra se faz necessária.

Admirá-la: a mais silenciosa maneira de amar.

De pé, ele vislumbrou o longo caminho até a sua boca, seus olhos e ouvidos. Desceu o olhar até o tornozelo. 

Naquele instante, ele era apenas um ser contemplativo diante de sua musa.

Talvez por causa do calor a aninhar-se pelos cantos do quarto, ela se virou lentamente e logo em seguida aquietou-se novamente,

À sua frente ele a olhava fixamente fitando seu rosto. Percorreu todo até encostar seu corpo junto ao dela esperando que despertasse a percebe-lo pelo canto do olho ao presenteá-la com as palavras construídas depois daquela jornada contemplativa num leve sussurro: 

- Eu te amo...

Adaptado da prosa poética "A Moça Nua na Cama" em Semente da Saudade, Carlos Edu Bernardes, 2016

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Por Perto



No florescer das maravilhas

Trago comigo a lembrança

Da semente que se colheu.

A cada manhã

Te vejo por perto

sábado, 2 de abril de 2016

Flores de Abril

imagem: Flickr

Flores de Abril
Lyrics: Flávio Venturini

Eu fui feliz um dia
Eu aprendi com a vida
não quero mais chorar...
Se acalme, meu coração

Se eu tiver sonho um dia
cordão de maravilhas, passou o tempo
e cai o outono em minha paixão

Oh! estrela da manhã
Só você quem viu a paixão desabrochar
entre as flores de abril

Amarelo ipê
Teu jeito de ser
Vejo a espuma do teu mar
Ao vento

Vento de primavera
Trás a pessoa bela
Um novo tempo
E faz vibrar meu coração

Vem sol, me traz a vida
Estrada de amor perdida
Outros caminhos pra trilhar
Outra paixão

Noite em Salvador
Tire a minha dor
Arembepe foi um sonho
De amor e paz

Vejo a tarde gris
Tudo que eu quis
Eu vivi um grande amor
Nesses versos

...

Da canção fiz um poema

quinta-feira, 31 de março de 2016

Semeadores de Maravilhas, Parte 2 - A Amizade

Imeagem: Google


Não demorou muito tempo para que logo ele ficasse interessado em chegar rapidamente ao Liceu. Trabalhando à poucos quarteirões, tão logo saia da empresa em poucos minutos já estava no hall de entrada, percorrendo os corredores com um rápido olhar para confirmar se Mel havia chegado (mesmo tendo quase certeza de que ela nunca estaria ali naquele horário...).

Para amenizar a ansiedade, Tim ocupava seu lugar na mesa de ping-pong, onde raramente vencia as competições diárias, desatento que ficava por dividir a atenção entre a partida e a porta de entrada.
Bastava que Mel apontasse no corredor, para imediatamente Tim largar sua raquete com o próximo jogador e abandonar o jogo, subindo com rapidez a escadaria e juntos irem para a sala de aula.

As conversas nos degraus da escada eram cercadas de muitas risadas e momentos divertidos. Todos os colegas de turma os viam juntos, e houve até comentários do tipo: "- parecem namorados...", mesmo sem nunca terem sido vistos de mãos dadas.

Certo é que Tim, apesar de seu desprendimento nas conversas, não conseguia controlar sua timidez.

A amizade foi aumentando e logo a maioria do tempo disponível era usado por eles para compartilharem situações cotidianas. Ele comentava fatos de sua vida, atentamente ouvidos por Mel.

Ao final das aulas, os dois pegavam seus respectivos ônibus - que percorriam praticamente o mesmo trajeto - até se encontrarem novamente no dia seguinte...