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quarta-feira, 15 de março de 2017

Semeadores de Maravilhas, Parte 3 - Quase


Não foi preciso muito tempo para que ele se desse conta de que “gostava” - por esse “gostar” entenda-se apaixonado mesmo - da Mel.  Mudou a motivação para chegar ao colégio, e logo as disputas de tênis de mesa foram abandonadas. Agora ele ficava esperando por ela no mesmo local onde a viu pela primeira vez.

Colegas passavam, cumprimentavam e chamavam para um café antes da aula – por que ela demora tanto para chegar??? – que ele acabava aceitando e bebia rapidamente na lanchonete do Natal, sem tirar os olhos do portão da entrada.

Tão logo se encontravam, já tomavam seus lugares nos degraus da escada, em conversa que só terminaria no final da aula. Em sala eles até “prestavam atenção” nas matérias, e (quase) não colavam nas provas.

Foi um ano feliz. Uma grande empatia, amizade e cumplicidade nasceu desses dias no Liceu. Tin não via o momento de chegar a segunda-feira para poder revê-la. Foi à partir desse sentimento que num sábado ele resolveu encontrá-la e abrir seu coração. Saiu à noite determinado e com a certeza de que a encontraria na discoteca em que ela costumeiramente ia dançar nos finais de semana.

Saltou do ônibus no final da rua onde morava Mel, e com uma sensação de frio na barriga e suor nas mãos, começou a caminhar pensando como e o que falaria quando à encontrasse.

E nesse momento foi surpreendido por uma daquelas chuvas torrenciais que desabam do nada, justamente quando não se acha um lugar para se abrigar. Totalmente ensopado ele decidiu voltar para casa, adiando mais uma vez o que queria tanto dizer para ela...

domingo, 12 de junho de 2016

1979 Sempre


E depois contemplar a lua

Clareando o céu dessa fria

noite de junho

A estrela que primeiro vir

Será meu presente

Para você

nesse domingo

quinta-feira, 31 de março de 2016

Semeadores de Maravilhas, Parte 2 - A Amizade

Imeagem: Google


Não demorou muito tempo para que logo ele ficasse interessado em chegar rapidamente ao Liceu. Trabalhando à poucos quarteirões, tão logo saia da empresa em poucos minutos já estava no hall de entrada, percorrendo os corredores com um rápido olhar para confirmar se Mel havia chegado (mesmo tendo quase certeza de que ela nunca estaria ali naquele horário...).

Para amenizar a ansiedade, Tim ocupava seu lugar na mesa de ping-pong, onde raramente vencia as competições diárias, desatento que ficava por dividir a atenção entre a partida e a porta de entrada.
Bastava que Mel apontasse no corredor, para imediatamente Tim largar sua raquete com o próximo jogador e abandonar o jogo, subindo com rapidez a escadaria e juntos irem para a sala de aula.

As conversas nos degraus da escada eram cercadas de muitas risadas e momentos divertidos. Todos os colegas de turma os viam juntos, e houve até comentários do tipo: "- parecem namorados...", mesmo sem nunca terem sido vistos de mãos dadas.

Certo é que Tim, apesar de seu desprendimento nas conversas, não conseguia controlar sua timidez.

A amizade foi aumentando e logo a maioria do tempo disponível era usado por eles para compartilharem situações cotidianas. Ele comentava fatos de sua vida, atentamente ouvidos por Mel.

Ao final das aulas, os dois pegavam seus respectivos ônibus - que percorriam praticamente o mesmo trajeto - até se encontrarem novamente no dia seguinte...

quarta-feira, 2 de março de 2016

Semeadores de Maravilhas, Parte 1 - O Início

imagem: Google

Tim e Mel conheceram-se aos quinze anos de idade.  

De fato, seus caminhos se encontraram nessa época, durante o início do distante ano de 1979, quando o destino os uniu de locais tão distantes para o mesmo Liceu Educacional;

Um dia, no início do ano, tendo chegado ao colégio com bastante antecedência, ele permaneceu no hall de entrada aguardando os longos minutos que faltavam para o início das aulas, quando viu passar duas garotas. 

Ele não conseguiu desviar seu olhar daquela menina de cabelos aloirados e presos, trajando uma camisa azul-celeste e jeans cinza claro, sorriso radiante, entretida em uma conversa animada com a amiga.

Intrigado, Tim a seguiu até a escada que dava acesso às salas, e para sua surpresa, ambas eram de sua sala.

Feita a sua parte, com o destino colocando ambos na mesma sala, em pouco tempo a amizade brotou das cadeiras das últimas fileiras para longas e animadas conversas em aula, mas principalmente na escadaria antes do início da aula, pouco se importando com nada ao redor.

Ao final das aulas, pegavam ônibus de diferentes linhas que faziam, quem diria, praticamente o mesmo trajeto que os separava por apenas poucos quarteirões....