Os cafés da manhã aos domingos vêm se tornando um momento importante para eles.
Sem pressa e sem compromisso com horários, apenas o prazer de estarem ali compartilhando a mesa nos primeiros momentos do dia.
A conversa flui fácil entre assuntos do dia a dia e também uma lembrança aqui e outra ali enquanto uma música suave preenche o ambiente e uma leve brisa passa pela janela entreaberta, compondo o cenário.
Em alguns momentos, sem motivo aparente, eles citam o passado que já não é tão recente, mas próximo ainda para às vezes mexer com suas emoções. Eles sabem os motivos e razões, e talvez por isso trazê-lo seja de alguma forma benéfico, quando compartilham o que viveram e as experiências que de alguma forma moldaram quem são hoje.
Ele a ouve com atenção olhando seus olhos, e ao mesmo tempo se pega pensando nas coincidências, situações e sentimentos tão semelhantes, mesmo vivendo separados por grande distância e tempo.
Enquanto ela fala, ele continua ali presente, mas a sua mente se move.
Silenciosa e inevitável.
"- E se…"
Pensava ele em como teria sido maravilhoso se tudo tivesse acontecido diferente do que lhes escreveu o destino.
Como teria sido bom viver aquele amor, crescerem juntos descobrindo a vida e construirem uma história desde o princípio, tendo desfrutado das oportunidades e de todos outros momentos e vivências que agora compartilham entre si.
Se tivessem vivido o amor naquele tempo...
O namoro que não existiu.
O vestido de noiva que nunca viu.
O amor que não foi seu.
Os filhos, a casa, os passeios, os cafés da manhã aos domingos, e tantos outros momentos.
Como teria sido?
Esse é um pensamento que chega sem pedir licença.
O coração se aperta de um jeito estranho, por uma saudade que não tem lembrança e por um vazio de algo que nunca foi e que parecia ter sido perdido, ante a deliciosa experiência não provada.
Mas, ao mesmo tempo, há algo claro para ele.
Basta um piscar de olhos: Elise.
Ela está ali, real, presente e ao alcance de um abraço. Sorrindo, Richard se levanta, vai até ela que o acompanha com o olhar. Sem dizer nenhuma palavra, ele a beija e sussurra: - te amo...
O que eles possuem agora não é raso.
É feito com respeito, com cuidado e presença, fruto de escolhas conscientes e sinceras. Num
Em resumo, é um amor resiliente que um dia maravilhosamente a vida semeou.
O que não foi no tempo que ele imaginara um dia, agora é real. E, justamente por tudo o que veio antes, é valioso de um jeito que talvez não tivesse sido sonhado lá atrás.
E é deles.
E, por tudo o que se precedeu, esse amor não é menor.
É mais profundo.
Ele traz consigo essa certeza.
E tem pressa de continuar.
