segunda-feira, 4 de maio de 2026

Manhãs de Domingo




Os cafés da manhã aos domingos vêm se tornando um momento importante entre eles.
Sem pressa e sem compromisso com horários, apenas o prazer de estarem ali compartilhando a mesa nos primeiros momentos do dia.
A conversa flui fácil entre assuntos do dia a dia. Uma lembrança aqui, outra ali… enquanto uma música baixa preenche o ambiente e uma leve brisa passa pela janela entreaberta, compondo aquele cenário.

Em alguns momentos, sem motivo aparente, eles citam o passado que já não é tão recente, mas próximo ainda para às vezes mexer com suas emoções. Eles sabem os motivos e razões, e talvez por isso trazê-las seja de alguma forma benéfico, quando compartilham o que viveram e as experiências que, de alguma forma moldaram quem são hoje.

Ele a ouve com atenção, olhando seus olhos, e ao mesmo tempo se pega pensando nas coincidências, situações e sentimentos tão semelhantes, mesmo que vividos à tão grande distância.

Enquanto ela fala, ele continua ali presente… mas a sua mente se move.
Silenciosa e inevitável.
"- E se…"
Pensava em como teria sido maravilhoso se tudo tivesse acontecido diferente do que lhes escreveu o destino.
Como teria sido bom viver aquele amor, crescerem juntos descobrindo a vida e construirem uma história desde o princípio, tendo desfrutado das oportunidades e de todos outros momentos e vivências que agora compartilham entre si.
Se tivessem vivido o amor naquele tempo...
O namoro que não existiu.
O vestido de noiva que nunca viu.
O amor que não foi seu.
Os filhos, a casa, os passeios, os cafés da manhã aos domingos,e tantos outros momentos. 
Como teria sido?
Esse é um pensamento que chega sem pedir licença. O coração se aperta de um jeito estranho, por uma saudade que não tem lembrança e por um vazio de algo que nunca foi mas que, de alguma forma, parecia ter sido perdido, ante a deliciosa experiência não provada.
Mas, ao mesmo tempo, há algo claro para ele.
Basta um piscar de olhos.

Elise está ali, real, presente e ao alcance de um abraço. Ele se levanta, vai até ela que lhe acompanha com o olhar. Sem dizer nenhuma palavra, ele a beija e sussurra : - te amo...

O que eles possuem agora não é raso.

É feito com respeito, com cuidado e presença, fruto de escolhas conscientes e sinceras. Num
Em resumo, é um amor resiliente que um dia maravilhosamente a vida semeou.

Talvez não tenha sido no tempo que ele imaginara um dia. Mas agora é real. E, justamente por tudo o que veio antes, é valioso de um jeito que talvez não tivesse sido sonhado lá atrás.
E é deles.
E, por tudo o que se precedeu, esse amor não é menor.
É mais profundo.
Ele traz consigo essa certeza.
E tem pressa de continuar.

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