segunda-feira, 25 de maio de 2026

Entre o Tempo e Você - Parte I

 

Richard estava trabalhando a poucos quarteirões onde um dia Elise havia trabalhado, no tempo em que ainda eram colegas de classe no curso de Administração que fizeram juntos no primeiro ano.

(Depois, Elise mudou-se para outra escola e, pouco a pouco, perderam o contato. A distância os afastou. Cada um seguiu sua vida até se reencontrarem muitos anos depois, reacendendo a amizade e o afeto que, naquele tempo, os unira... Mas essa é outra história.)

Toda essa lembrança percorreu a mente de Richard enquanto ele se dirigia ao Shopping nas imediações enquanto visualizava ao fundo o imponente prédio que sediou o conglomerado bancário e centro de operações onde ela havia trabalhado.

A torre era alta e esbelta, marcada pela repetição rigorosa dos pavimentos, criando uma sensação de ritmo e uniformidade visual. A ausência de ornamentos reforçava o conceito modernista de funcionalidade acima da decoração em uma linguagem arquitetônica típica do modernismo corporativo paulistano das décadas de 1970 e 1980, fortemente influenciada pelo chamado International Style, muito utilizado em edifícios empresariais de alto padrão da época.

Richard divagou, reencontrando-se mentalmente com ela naquele tempo distante. Havia algo que jamais conseguira esquecer: o vínculo silencioso que haviam criado durante as longas conversas nos degraus do Liceu, enquanto aguardavam o início das aulas.

Almoçou contemplando o edifício através das janelas do shopping. Havia algo naquela lembrança repentina que o intrigava e o inspirava ao mesmo tempo.

Ao terminar a refeição, decidiu, sem hesitar, visitar o prédio. Richard sempre buscava algum elo com o passado, qualquer fragmento capaz de devolver-lhe as memórias daquele tempo em que a paixão por Elise movia seus dias.

Saiu a passos apressados. Consultou as horas e viu que ainda dispunha de alguma folga antes do próximo compromisso na empresa.

Durante a curta caminhada, elaborou mentalmente um plano para conseguir autorização de acesso, caso o banco ainda funcionasse ali. E, se funcionasse... em qual andar Elise teria trabalhado?

Não permitiu que as dúvidas o impedissem de seguir adiante. Continuou caminhando, lembrando-se daquele sábado chuvoso que o fizera desistir de um provável reencontro...

Poucos minutos depois, encontrava-se diante da portaria central.

O prédio era realmente imponente, remetendo visualmente às referências da arquitetura corporativa norte-americana e aos conceitos utilizados por arquitetos como Ludwig Mies van der Rohe e Gordon Bunshaft, pelo uso de vidros escuros, racionalidade geométrica e minimalismo formal.

À esquerda da entrada havia um painel com a identificação das empresas instaladas no edifício. Richard aproximou-se e percorreu rapidamente os andares com os olhos.

continua...

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