"...Quero nadar nas suas águas Nas ondas dos seus cabelos Sentir seu corpo molhado A deslizar nos meus dedos
Eu quero olhar nos seus olhos Sem duvidar do que faço Quero beijar sua boca E te prender nos meus braços,
Te amo, te quero comigo Pelas estradas por onde eu andei Alguém igual eu nunca encontrei Você é tudo que eu quero pra mim Jamais amei assim
Eu quero estar com você E não me importo o que é certo Pois mesmo às vezes distante Me sinto ainda mais perto A noite eu sonho dormindo De dia eu sonho acordado
Que um dia, todos os dias Eu estarei do seu lado..."
Como uma música consegue expressar tão fortemente um sentimento de amor?
A solidão não se anuncia com estrondo. Ela chega silenciosa, quase delicada, deslizando pelos espaços que antes pertenciam a dois. Ela se esconde nas entrelinhas do cotidiano, nos pequenos instantes que um dia foram compartilhados e que, agora, ecoam vazios.
Na caminhada matinal, os passos que antes se davam no ritmo de uma conversa, hoje ressoam sozinhos no calçamento. O vento que outrora trazia risadas e promessas sussurra tantas perguntas: Por que estou aqui sem companhia? Como caminhar sozinho depois de tanto tempo? Teria sido tudo em vão?
No supermercado, a escolha simples de um pão parece agora um gesto sem sentido. O que antes, era uma decisão leve, feita com olhares cúmplices e até pequenos debates sobre qual marca era melhor, agora é um peso invisível, uma ausência que se revela entre as prateleiras, quando vem à mente que a mesa não precisa mais de dois pratos.
Na igreja, o lugar vazio ao lado no banco, agita as lembranças dos domingos onde as mãos se encontravam em silêncio, em prece conjunta, em gratidão por tudo que a vida nos dera.
A fé consola, mas não apaga a pergunta que insiste: Onde os caminhos de dividiram?
Tudo passou, e agora faz parte de páginas de um livro que está guardado na estante empoeirada das lembranças.
E, entre uma prece e outra, surge o desejo simples e profundo de amar de novo.
De compartilhar o amor com um sorriso, um olhar, um instante, uma viagem ou passeio, uma mão dada, o cuidar com afeto e respeito, de servir um jantar ou uma taça de vinho.
Tudo com a certeza que é tão plenamente possível de se realizar nos dias que restam por viver.
Chego onde o desejo nasce, o amor acontece e o físico se torna sagrado.
Te beijo com paixão de alma, em êxtase com a reposta que teu corpo me dá.
O mundo parece parar ao som da nossa respiração acelerada com o encontro de nossas vidas que voltam a se pertencer, fazendo o amor renascer nesse encontro da mulher desejada com o homem que a ama, da alma com o corpo.
E neste beijo último e primeiro, brota o amor, agora desperto.