(Depois, Elise mudou-se para outra escola e, pouco
a pouco, perderam o contato. A distância os afastou. Cada um seguiu sua vida
até se reencontrarem muitos anos depois, reacendendo a amizade e o afeto que,
naquele tempo, os unira... Mas essa é outra história.)
Toda essa lembrança percorreu a mente de Richard
enquanto ele se dirigia ao Shopping nas imediações enquanto visualizava ao
fundo o imponente prédio que sediou o conglomerado bancário e centro de
operações onde ela havia trabalhado.
A torre era alta e esbelta, marcada pela repetição
rigorosa dos pavimentos, criando uma sensação de ritmo e uniformidade visual. A
ausência de ornamentos reforçava o conceito modernista de funcionalidade acima
da decoração em uma linguagem arquitetônica típica do modernismo corporativo
paulistano das décadas de 1970 e 1980, fortemente influenciada pelo chamado International
Style, muito utilizado em edifícios empresariais de alto padrão da época.
Richard divagou, reencontrando-se mentalmente com
ela naquele tempo distante. Havia algo que jamais conseguira esquecer: o
vínculo silencioso que haviam criado durante as longas conversas nos degraus do
Liceu, enquanto aguardavam o início das aulas.
Almoçou contemplando o edifício através das janelas do shopping. Havia algo
naquela lembrança repentina que o intrigava e o inspirava ao mesmo tempo.
Ao terminar a refeição, decidiu, sem hesitar, visitar o prédio. Richard
sempre buscava algum elo com o passado, qualquer fragmento capaz de
devolver-lhe as memórias daquele tempo em que a paixão por Elise movia seus
dias.
Saiu a passos apressados. Consultou as horas e viu
que ainda dispunha de alguma folga antes do próximo compromisso na empresa.
Durante a curta caminhada, elaborou mentalmente um
plano para conseguir autorização de acesso, caso o banco ainda funcionasse ali.
E, se funcionasse... em qual andar Elise teria trabalhado?
Não permitiu que as dúvidas o impedissem de seguir
adiante. Continuou caminhando, lembrando-se daquele sábado chuvoso que o fizera
desistir de um provável reencontro...
Poucos minutos depois, encontrava-se diante da
portaria central.
O prédio era realmente imponente, remetendo
visualmente às referências da arquitetura corporativa norte-americana e aos
conceitos utilizados por arquitetos como Ludwig Mies van der Rohe e Gordon
Bunshaft, pelo uso de vidros escuros, racionalidade geométrica e minimalismo
formal.
À esquerda da entrada havia um painel com a
identificação das empresas instaladas no edifício. Richard aproximou-se e
percorreu rapidamente os andares com os olhos.
continua...




