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terça-feira, 25 de outubro de 2016

Partidas



Eu nunca entendi bem as lágrimas nas despedidas.

Despedidas nas rodoviárias, aeroportos e na rua de casa sempre eram motivos de alegria infantil pelos que partiam, deixando a recordação de bons momentos e a esperança de um breve retorno para novos tempos de bom convívio, conversas, brincadeiras e descontração.

Depois, quando via meu pai partido em viagens de trabalho, ficava acenando até o carro sumir na curva da rua, e permanecia contemplando o pôr-do-sol da tarde de domingo. Mas não sentia tristeza. Sentia uma saudade que em poucos dias seria resolvida com o seu retorno para o final de semana.

Já adulto, passei a ter outra perspectiva. Algumas partidas, quis o destino, não tiveram encontro de volta com alguns amigos e também com o meu pai. Dessa vez, eu é quem havia saído em viagem e no retorno não os encontrei mais. Tudo bem, o tempo nos concede força resiliente.

Mas, de uns tempos para cá, têm sido diferente. Os encontros vêm com o sopro da canção do Milton: "me dê um abraço, venha me apertar, tou chegando..." mas a despedida, agora, tem doído. De fazer virar o rosto para a janela e tentar disfarçar a falta que vamos sentir até o novo encontro, o próximo beijo e o calor do abraço.

Dessa vez, as lágrimas aconteceram também do lado de fora da janela, traduzindo a saudade que eu já estava sentindo desde que minha visão no portão de embarque não a alcançou mais.

O pôr-do sol, eu contemplei do céu.

E mais uma vez precisei ficar longos minutos olhando para fora.

Agora eu entendo bem por que elas acontecem...

 17/10/2016

sábado, 13 de agosto de 2016

Despedidas Doem

(Adaptado da crônica Pessoas Passageiras, de Renata Pasini)

"Pelo menos uma vez na vida já fomos testemunhas de despedidas em rodoviárias. Entre cada beijo apaixonado e abraço confortante nunca existirá uma grande distância entre estes corpos.

Rodoviárias não dividem pessoas por países, dividem por linhas históricas. Na maioria das vezes, o próximo beijo acontece em menos de uma semana. Mas somos feitos de saudades antecipadas, de beijos longos em cada partida, que prezam a continuidade na mente.

Entre cada caminho as pessoas não se despedem apenas de outras pessoas, se despedem de conflitos, de defeitos e incertezas.

Mágoas que talvez eram tão existentes naquele final de semana, são abandonadas no próximo box. Toda história vivida na rodoviária é mais intensa. Desde a mão que escorre na janela com desejo guardado no peito, até o abraço apertado que foi dado no último minuto, mas que valeu a viagem inteira.

A rodoviária é a lembrança da distância, é o entendimento do quanto é bom estar perto. Amores de idas e vindas, muitas vezes passageiros, outras vezes, apenas amores... de longas estradas."

Eu cada vez mais peço que não ocorram mais despedidas, mas REENCONTRO.

Detesto despedidas. Elas doem. Muito.

Sinto falta que o teu amor me faz.
 13/08/2016