quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Surpresa Ao Entardecer


O relógio marcava o fim de mais um dia exaustivo. Elise deixou o trabalho sentindo cada músculo pedir descanso. Mas, ao invés de seguir o caminho de sempre para casa, uma ideia inesperada floresceu como por um um impulso. Ela desviou a rota e alguns minutos depois, estava diante da casa dele.

Ao abrir a porta, a surpresa iluminou seu rosto. Um sorriso genuíno, desses que desarmam qualquer cansaço, se espalhou por seus lábios. Por um instante, apenas se olharam. 

Richard notou como o dia deixara a expressão em seu rosto levemente marcada, mas ainda assim achou-a irresistível. Havia nela uma beleza real, sem esforço, que despertava nele um desejo silencioso de abraçá-la.

- Vim roubar um café,  ela disse, naquele tom leve e ao mesmo tempo encantador que lhe é de costume.

Ele sorriu e fez um gesto para que entrasse, e beijaram-se apaixonadamente assim que fechou a porta atrás de si.

O aroma do café recém-coado envolveu o ambiente. Sentaram-se à mesa e conversaram por muito tempo sobre o dia, sobre nada e sobre tudo. Os olhares se encontravam mais do que as palavras e pequenos silêncios carregados de significado completavam o momento. 

Quando ela se levantou, algumas horas depois, disse num tom quase casual:
- Acho que vou tomar um banho antes de ir…você me leva para casa depois?

Ele apenas assentiu, sem conseguir disfarçar a paixão que ela lhe provocava naquele instante

Minutos depois, o som da água correndo invadia o silêncio do quarto... Ele imaginava cada gota deslizando sobre a sua pele e seus gestos delicados ao se enxugar. Quando ela reapareceu, envolta na toalha, a respiração dele ficou mais lenta. Ela estava ali, tão perto, tão real…

Ele se aproximou sem pressa. Seus olhos se prenderam aos dela, e então o primeiro beijo aconteceu silencioso, mas repleto de tudo que não precisava mais ser dito.

As lábios se encontraram enquanto a toalha deslizava. O ambiente silencioso parecia respirar junto com eles, sem que se importassem com o passar das horas.

Se entregaram como quem se reencontra depois de muito tempo, fazendo daquele instante um momento onde o desejo e afeto se completam. Nada mais precisava ser dito. 

E ela não foi embora.

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Semeadores de Maravilhas, Parte 15 - Reaprendendo


Inspirada em Learning How To Love You
 (George Harrison)

Para quem reencontrou um amor que o tempo jamais apagou.

Havia silêncio dentro de mim.

Um silêncio cheio de lembranças, como se o tempo tivesse parado para me lembrar… de nós.

Enquanto tudo repousava, algo dentro de mim despertava. Era o seu nome, o seu riso de outros tempos, seu olhar de juventude, aquele que sempre lembrei, mesmo nos dias em que pensava que tivesse esquecido.

O coração, solitário por tanto tempo, começou a reaprender.

Reaprender a confiar, a sonhar, a esperar.

A amar.

Você chegou como quem sabe o peso do tempo, e trouxe algo leve: a verdade de um sentimento que não deixou de existir: a semente que ficou adormecida, esperando a estação certa para florescer.

Hoje, enquanto te contemplo, entendo que amar também é isso: aprender de novo.

Aprender com calma e com alegria.

Não mais com a pressa da juventude, mas com a ternura de quem sabe que amar é um presente raro.

Estou aprendendo a maravilha de te amar, de novo.

A te ouvir com os olhos, a te abraçar com a alma.

A caminhar ao seu lado, sem querer chegar, porque estar com você já é o destino.

Estou aprendendo a te amar como você merece.

Com presença.

Com tudo o que sou, agora que te reencontrei.

sexta-feira, 18 de julho de 2025

Janelas do MASP - Parte II

 

E sigo,
por corredores calados
onde a arte sussurra segredos.
Os traços que o tempo guardou
se desfazem na curva do teu sorriso.

Te vejo
refletida no vidro das molduras,
nos passos leves pelo assoalho antigo.
Você é mais que pintura
É instante vivo.

Mário, Anita, Iberê,
Portinari, Monet, Delacroix...
Tantos nomes, tantas cores,
mas só um quadro me prende.

Porque, entre tantos
olhares retratados, 
o que me faz brilhar
é o teu.

quinta-feira, 17 de julho de 2025

Dez Anos


Hoje o mundo segue igual: cafés sendo servidos, pessoas passando apressadas, e o mesmo cheiro no ar de todas as segundas-feiras comuns.

Mas para Richard e Elise, esse dia carrega algo mais que ninguém sabe.

Dez anos atrás, não era apenas outra manhã. Era o dia em que dois destinos se cruzariam sem desvios e sem promessas, mas carregando em si um significado que está marcado para sempre em seus corações.

Naquele lugar entre o aroma de café e os corredores vazios, ficou guardado um momento: um beijo que esperou tantos anos para acontecer.

Hoje, o mundo continua sem saber o que aquele local representa, e tanto faz, porque é algo somente deles. É o suficiente.

Com o mesmo frio na barriga daquele instante, e a mesma felicidade que fala até hoje mais alto que mil palavras, eles celebram. Nada foi por acaso.

Nem aquele beijo.

Nem essa data.

Nem esse amor.

17/07/2025

quinta-feira, 10 de julho de 2025

Aonde Quer Que Eu Vá

 


Olhos fechados
Pra te encontrar
Não estou ao seu lado
Mas posso sonhar
Aonde quer que eu vá
Levo você no olhar
Aonde quer que eu vá

Não sei bem certo
Se é só ilusão
Se é você já perto
Se é intuição
E aonde quer que eu vá
Levo você no olhar
Aonde quer que eu vá

Longe daqui, longe de tudo
Meus sonhos vão te buscar
Volta pra mim, vem pro meu mundo
Eu sempre vou te esperar

segunda-feira, 7 de julho de 2025

Pensamentos e Reflexões

 


A gente já viveu tanta coisa, não é?

Silêncios que doem, momentos em que tudo ficou distante, quase frio... como se a alma esperasse alguma coisa voltar a fazer sentido.

E depois de tudo isso, é impossível não valorizar o que mais importa: a companhia, o estar junto. o querer.

O simples fato de dividir o tempo, o café, os risos… e até as lágrimas com alguém com quem faz bem viver se torna tão imprescindível, tão importante, que faz o tempo urgir.

A vida nos levou por caminhos diferentes, verdade. Às vezes distantes, às vezes duros demais. Mas olhe só...
Chegamos aqui.

Agora temos esse presente. Esse “agora” que parece pequeno, é tudo o que considero de mais precioso.

Posso afirmar que agora é a nossa vez.

Nossa vez de cuidar um do outro de verdade. De perceber o cansaço no olhar no fim do dia e, em vez de palavras, oferecer um ombro. Ou um silêncio que conforta.

De preparar um café do jeitinho que o outro gosta.

De escutar sem interromper. Esperar sem cobrar. Amar sem fingir.

Porque o amor real, aquele que sustenta a alma, não se faz de grandes gestos, mas se constrói nas pequenas coisas que o mundo lá fora não vê, mas o coração sente.

E quer saber? O amor de verdade não exige perfeição. Ele pede entrega e coragem para se mostrar por inteiro. 

Cuidar um do outro é o que mais importa, porque a vida é curta demais pra se andar sozinho, e a solidão endurece, enquanto o carinho acalma. 

E se for pra escolher, que nunca falte o “eu te amo” dito de surpresa, nossos abraços demorados, a mão estendida na hora certa e aquele olhar que diz: “estou aqui com você”.

O que a vida ensinou é que ainda dá tempo.

Ainda dá pra sermos felizes com maturidade, doçura e respeito.

Porque agora…
Agora é a nossa vez.

E não existe melhor hora do que essa, de se amar com consciência, com presença, com esperança no que ainda vem pela frente.

Te amo.

Juras

 

Serei sincero e calmo
Puro e sereno, eu juro
Serei leal e companheiro
Construiremos juntos
Viajaremos sempre

Eu te prometo docemente
O meu amor, meu bem querer
Quero estar com você
Na alegria e no prazer
Se vier a escuridão
Nós então nos daremos as mãos.

E parceiros na estrada da vida,
Seremos a luz.
Nós iremos trilhar esse chão
Como quem sabe que a direção
Se decide no fundo do peito
onde mora a razão

Quando o silêncio afaga
Você me abraça mansa
O que é bonito e acalma
E faz tão bem pra alma.

Trechos de "Juro" (Almir Sater e Renato Teixeira)