Mostrando postagens com marcador Dia das Mães. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dia das Mães. Mostrar todas as postagens

domingo, 10 de maio de 2026

Uma Data Especial


Havia algo diferente naquele fim de tarde. Era uma espécie de inquietação doce, dessas que fazem o relógio parecer lento demais e o pensamento insistir em uma única pessoa.

Richard passou o dia inteiro tentando se concentrar nas obrigações, mas Elise surgia em sua mente entre uma tarefa e outra. Às vezes no reflexo escuro da tela do notebook, às vezes numa pausa breve para o café. Via o contorno do rosto dela, o brilho sereno dos olhos, o jeito delicado com que sorria quando ele chegava em casa cansado demais para conversar.

Estava apressado para encontrar Elise. Por alguma razão desconhecida, ele havia pensado nela o dia todo.

Trocaram poucas mensagens curtas pelo telefone, mas ainda assim os pensamentos não cessaram.

Ele praticamente via seu rosto, seu olhar, seu sorriso e ansiava por chegar logo em casa, pois era o momento do dia só deles, tanto nas pequenas tarefas quanto à mesa do jantar, quando conversam amenidades que os fazem felizes. Após o jantar sempre têm um tempo sentados no sofá da sala, com sua cachorrinha aos seus pés fazendo companhia.

Talvez fosse esse desejo que lhe incendiava o pensamento, desejando que as horas passassem rapidamente para esse deleite.

Assim, apressou suas rotinas e acelerou o que pôde. Respondeu os últimos e-mails quase mecanicamente, fechou o notebook e decidiu abandonar para o dia seguinte tudo aquilo que não fosse essencial.
Naquela noite, nada parecia mais importante do que Elise.
Apagou as luzes da sala e seguiu apressado para a garagem do edifício.
Apagou as luzes e saiu apressadamente para a garagem do edifício.

No caminho, fez uma breve parada em uma floricultura e escolheu um buque de rosas Déjà Vu conhecida por ter uma coloração amarela com uma fina borda avermelhada, criando um efeito "bicolor" ou "multicolorido" que simbolizam alegria, amizade e energia, enquanto o toque vermelho-laranja adiciona um sentido de entusiasmo e desejo.

De volta ao carro, escolheu uma playlist tranquila para tentar diminuir a ansiedade que crescia dentro do peito.

E foi então que percebeu detalhes que normalmente lhe escapavam: aquela árvore frondosa da avenida e os detalhes daquela casa bem ao estilo dos anos 70, impecavelmente bem conservada.

Conseguiu também ver um cachorrinho sentado ao portão, talvez esperando seu tutor chegar. Era um Shih-Tzu igual ao deles, de pelagem mesclada de branco e café com leite. Seus olhos se encontraram naquela fração de segundos.Richard teve a impressão de que ele compreendia exatamente aquele sentimento de espera e sorriu sozinho antes de virar a esquina.

Essas pequenas distrações ajudaram-lhe a chegar logo em casa.

Abriu a porta, ainda com uma inexplicável ansiedade e percorreu o ambiente à procura de Elise.

A iluminação suave do entardecer permitiu encontrá-la no sofá, lendo um livro. Elise também havia chegado em casa com alguma antecedência.

Ela se levantou com um sorriso e caminhou até ele, e se abraçaram. Ela passou os braços por seu pescoço e ele a segurou pela cintura.

Ele entregou o buquê de rosas que fizeram seus olhos brilharem.

- São as minhas favoritas… disse quase num sussurro.

- Chegou mais cedo, quase estragou a minha surpresa, sussurrou ela.

- Surpresa?

Ao que levantou os olhos e viu a mesa lindamente preparada, para um jantar à luz de velas, acompanhado de seu vinho favorito, já descansando sobre a mesa.

- Alguma ocasião especial? perguntou Richard.

Elise respondeu:

- Agora você terá mais uma data para comemorar comigo, dentre tantas que você adora guardar...

disse ela sorrindo.

Richard franziu levemente a testa, divertido.

- Que data, minha querida? Estou curioso.

- Tome seu banho e desça para jantarmos, aí eu lhe conto.

Richard não hesitou.

Trocaram um beijo lento e suave antes que ele subisse as escadas.

Enquanto caminhava até o quarto, Richard percebeu algo com absoluta clareza: estava completamente perdido de amor por ela, pela forma como ela o fazia feliz e completo e pela maneira como transformava coisas simples em memórias eternas.

Cerca de meia-hora depois Richard desceu e já encontrou a mesa posta, tudo organizado com o bom gosto característico de Elise. O aroma inundava a sala.

Ela havia preparado seu prato favorito, que harmonizará perfeitamente com aquele Cabernet Sauvignon que guardaram para uma ocasião especial.

Richard puxou a cadeira e ajeitou para Elise se sentar, e se dirigiu para seu lugar.

Foi então que percebeu um pequeno cartão repousando sobre o prato, decorado à mão.

A letra era dela.

Ele abriu lentamente e leu os dizeres:

- Bom apetite, papai.

Richard ficou parado por alguns segundos, para assimilar aquela mensagem, e levantou os olhos.

Elise sorria o sorriso mais encantador que ele jamais havia visto. Era diferente. Ela sempre sorria, é claro, mas naquele momento, ela resplandecia.

Os abraços e os beijos vieram misturados ao riso nervoso, às lágrimas contidas e à incredulidade feliz daquele instante.

Então Richard encostou os lábios próximos ao ouvido dela e sussurrou, emocionado:

- Mamãe Elise...



(Um momento imaginário de uma saudade que não tem lembrança).