O domingo à noite tem uma maneira muito particular de mexer com a gente. Durante o dia, ainda há alguma coisa para fazer, uma distração, um barulho, uma tarefa qualquer. Mas, quando a noite chega, a casa fica quieta e o fim de semana vai embora, os pensamentos ganham outra intensidade. Maior.
Quando criança, esse vazio era frequente aos domingos quando via meu pai em seu carro fazendo a curva da esquina para ir à São Paulo trabalhar durante a semana. A sensação era a de um filme que chegava ao fim com as luzes da tela se apagando e indicando não haver mais nada para assistir, em prenúncio para um longo silêncio.
Algumas vezes, minha mãe nos levava, eu, meus irmãos e primos, para brincar no parque da igreja, iluminado e com balanços e gangorra, na tentativa de diminuir a tristeza que tomava conta dos nossos sentimentos.
Hoje, quando chega o domingo à noite, o sentimento é parecido.
O domingo vai terminando e, de repente, vem aquela vontade de ter uma companhia, nem q ue fosse somente para conversar sobre como foi o dia, ouvir uma música, falar sobre a vida, assistir um filme ou simplesmente ficar do lado, sem precisar dizer muita coisa. Seria o parque da igreja dos dias atuais.
Às vezes, nem se trata de tristeza propriamente dita. É uma espécie de saudade de algo que está faltando para que os dias sejam mais leves, dividir os momentos bons e eventualmente aqueles em que nem tudo tenha sido perfeito.
Porque na verdade, a vida não é feita apenas de conquistas, trabalho e responsabilidades. Também precisamos de afeto, cumplicidade e da alegria de saber que somos importantes para alguém.
Afinal, por mais que a gente aprenda a viver sozinho, lidando com as batalhas da vida e com situações que consomem nossas forças exigindo esforço e dedicação, há momentos em que o coração só precisa mesmo da tão necessária companhia.
Pois os dias passam e a vida segue sua trilha.
Mas hoje é domingo à noite...

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